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03 jul 09 Interface é mais do que interface

O conceito de interfaces vai além da relação homem-máquina. As interfaces estão presentes em tudo que possui mais de um componente formador: porca-parafuso, porta-parede, calçado-pé. Diferentes interfaces proporcionam usos distintos, mas não necessariamente distintos semanticamente. Nota-se que, como em interfaces computacionais, o objetivo é permitir sempre ao usuário máxima transparência do sistema que opera por baixo e proporcionar uso agradável do objeto/ferramenta.

PARAFUSOPARAFERRAMENTAINTERCAMBIAVEL

Iguais quanto ao uso, diferentes quanto a forma

Dentro do próprio ramo computacional, as interfaces estão presentes em áreas completamente distintas. Um circuito integrado deve ser visto como uma caixa preta pelo resto do sistema, que age nesta abordagem como o usuário ou cliente dos serviços oferecidos por tal módulo. Saindo do baixo para o alto nível encontramos as telas touch e hologramas fisicamente manuseáveis, que são duas tecnologias até a pouco tidas como futuristas mas que atualmente tornaram-se quotidianas.

Mais incrível ainda é notar que tais interfaces inovadoras – sejam programas ou físicas – não estão mais confinadas ao computador pessoal (desktop ou laptop), o que obrigava a forma de apresentação da interface estar adaptada ao equipamento. Hoje a situação se inverteu. Primeiro temos a definição do tipo de interface adequada para uma dada aplicação e daí os hardwares são desenvolvidos de forma a oferecer recurso computacional para aquela demanda. Tal tratamento do objetivo inovador fornece recursos para aquela que se mostra a área mais carente em termos tecnológicos: a acessibilidade. Indubitavelmente a sociedade tem sido omissa – e não raras vezes preconceituosa – com o tratamento daqueles que não possuem as mesmas capacidades da maioria dos homens.

Interessante saber que é justamente no atendimento dessas minorias que o design de interfaces se mostra mais promissor. A capacidade da máquina de interpretação de gestos, fala e escrita em braile fornece um mundo de informação e interatividade para tais usuários. Na verdade, os transforma em usuários, já desde muito tempo eles não tecnologicamente inclusos.

Por Plínio Sandes dos Santos

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